Hoje eu tive um dos sonhos mais clássicos de toda a minha vida. E um dos mais longos também. Acompanhe.
Sonhei que eu e meu irmão tínhamos ido na academia, que ficava em uma ruazinha do bairro das Perdizes. Estacionei meu Corsinha na frente da academia, ao lado de uma delegacia, malhei, corri, fiquei gostosa, e quando voltei para o carro, dentro dele tinha um homem careca e morto.
No pescoço dele havia um bilhete pendurado: “Ele está morto? Está!”. Eu empurrei o corpo para o lado e dei ré, mas depois pensei melhor e decidi denunciar aquilo na polícia.
- Será que vou ser presa por ter mexido na cena do crime? - perguntei para o meu irmão.
Entramos na delegacia e esperamos por horas e horas para sermos atendidos. Já era de madrugada quando o delegado nos colocou em uma salinha escura para fazermos o B.O. Dezenas de pessoas estavam dentro da sala, sentadas no chão e uma luz forte foi colocada nas nossas caras, mas não éramos suspeitos do crime.
Quando começamos a contar que um homem careca havia sido assassinado e colocado dentro do meu carro, os 33 mineiros chilenos apareceram e começaram a matar as pessoas. Eu matei alguns chilenos, meu irmão matou outros e conseguimos fugir.
Chegamos em nosso belíssimo apartamento que dividíamos com 36 pessoas da nossa família e contamos o que tinha acontecido. No começo todo mundo ficou apavorado, mas ao passar dos dias, a galera se acostumou com a situação e continuou fazendo seus afazeres domésticos.
- Ninguém vai matar vocês - falou uma prima - que na vida real não existe - lavando roupas.
Um belo dia, eu estava com meu irmão em casa e tocou o interfone:
- O Diego tá aqui na portaria - informou o porteiro.
“Diego?”, pensei. “Eu não conheço nenhum Diego”.
- Rodrigo, joga aí no Google: “DIEGO” pra ver o que aparece.
Meu irmão jogou e um dos resultados era o Diego, um menino chileno que estudou comigo no Ensino Médio - na vida real, estudei mesmo com um menino chileno, mas ele não se chamava Diego.
Eu achei melhor não deixá-lo subir, mas todo mundo falou:
- Pô, o Diego era gente boa. Tanto tempo passou. Ninguém mais vai tentar matá-los.
Me convenceram, o Diego subiu e passou a morar em casa. Como ele não representou perigo no decorrer dos dias, eu relaxei.
Em uma madrugada, todo mundo dormia e o meu irmão me chamou no quarto para eu ver uma nova funcionalidade do Iphone.
- Veja, Lelê. Ele sincroniza no meu Iphone o conteúdo de todo mundo que tem Iphone aqui em casa.
O Diego Chileno tinha um Iphone e meu irmão começou a ler tudo o que estava dentro do aparelho dele. Uma das coisas é que o Diego Chileno tinha fundado a Igreja Fundamentalista La Rosa Rubra junto com os 33 mineiros chilenos, com o intuito de matar o meu irmão. Parece que enquanto estavam enterrados no buraco, eles identificaram que o meu irmão era um inimigo perigoso e que precisavam exterminá-lo.
Depois de lermos isso, ouvimos o miado de um gato invadir o silêncio que tomava conta da nossa casa na madrugada e meu irmão disse:
- Escuta! Quando o gato mia é sinal de que estamos em perigo.
E o Diego Chileno tinha aberto a porta do apartamento para os 33 mineiros chilenos.

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Aí acordei sem saber porque raios o meu irmão era um inimigo extremamente perigoso.